sábado, 14 de janeiro de 2017

Falta só um "danoninho" para o edifício ficar reduzido a escombros!...


SILÊNCIO DA FPF NO 'CASO DANILO'?!


«Aos 80 minutos do Moreirense-Porto para a Taça da Liga, jogo arbitrado pelo recém ‘internacional’ Luís Godinho, o árbitro expulsou Danilo e, em função das imagens disponibilizadas na transmissão televisiva, não ficara clara o motivo da amostragem do cartão vermelho. Aparentemente, o jovem árbitro, na sua corrida de recuo, havia chocado com o internacional português e, por isso, uma das hipóteses que se aventou foi a de Danilo ter proferido alguma injúria contra o juiz de campo eborense, porque do choque não parecia ter resultado nenhuma acção faltosa do médio portista.

Choveram as críticas, natural e principalmente por parte do Porto, que se sentia prejudicado com a decisão do árbitro, uma vez que a equipa estava a perder e, com 10 unidades em campo, teria mais dificuldades em operar o imperativo da reviravolta, se queria continuar em prova e alimentar a esperança de conquistar o troféu.
Estava o ‘país futebolístico’ já convencido da culpabilidade do árbitro quando o Record, nomeadamente, coloca no espaço público — através do seu site — novas imagens do lance. Tudo normal, tudo em nome do esclarecimento dos leitores/utilizadores e do apuramento da verdade.

Essas novas imagens, contudo, revelavam uma visão totalmente diferente do lance: afinal, Danilo não tinha sido ‘atropelado’ pelo recuo de Luís Godinho; o internacional português, na sequência dos protestos portistas que pediam penálti, correu na direcção do árbitro e, depois de parar, fez-lhe uma ‘parede’ no momento em que Luís Godinho, às arrecuas, chocou com ele.

Conclusão: Danilo não foi tão inocente assim e, perante estas novas imagens, configurando uma situação de ‘flagrante delito’, é evidente que não se pode esperar outra coisa senão um castigo para o ‘internacional’ português.

Com a publicitação das novas imagens, veio a segunda parte da ‘estória’. Como é que apareceram essas imagens e quem esteve na origem da sua divulgação no espaço público? A pergunta não seria muito relevante se o ‘Dragões Diário’ não tivesse contado a sua versão, acusando o gabinete de comunicação da FPF da respectiva divulgação junto de alguns órgãos de Comunicação Social, versão essa não desmentida pela FPF, como seria de esperar.

Não é grave. É gravíssimo. O Porto, através do ‘Dragões Diário’, não apenas acusa o gabinete de comunicação da FPF de ter revelado pormenores do relatório do árbitro como diz, claramente, que foi esse gabinete de comunicação a enviar as imagens para as redacções de alguns órgãos de comunicação social, com o propósito de proteger o árbitro Luís Godinho e, também, o… Benfica. Diz o ‘Dragões Diário’ que "este é mais um exemplo do monstro que controla o futebol português".

A FPF não tugiu nem mugiu. Quem cala consente. A versão do Porto podia ser apenas uma interpretação assente em factos não provados e teria um valor sempre relativo aos olhos da opinião pública. A verdade, porém, é que não se ouviu um ‘ui’ à FPF e isso dá força à versão portista.

Este silêncio da FPF é extremamente ruidoso, depois de o Porto ter suscitado a seguinte questão: "A quem interessa que a federação tome o partido do até esta semana desconhecido árbitro Luís Godinho?" E dá a resposta: "Ao Benfica, claro, que estende os tentáculos por todo o lado e quando de um lado está o Porto a verdade e os princípios não interessam para nada e há que montar uma encenação que prejudique o nosso clube".

A FPF — dizem os seus estatutos — é "uma pessoa colectiva sem fins lucrativos, de utilidade pública", que (…) "não admite qualquer tipo de discriminação" (…) e defende "o prestígio, a ética, o espírito desportivo e todos os interesses materiais do futebol". O que o Porto vem dizer é que o Benfica está a colocar determinadas figuras em lugares importantes da estrutura do futebol português - neste caso na FPF - para fazer prevalecer a sua influência, como neste exemplo em que o respectivo gabinete de comunicação se mete, por iniciativa própria, num assunto que não lhe diz minimamente respeito. O que o Porto vem dizer é que o Benfica domina o departamento de comunicação da FPF.

Neste caso, interessam-me menos as interpretações, que são subjectivas. Interessam-me os factos e o facto, não desmentido, assente na acusação do Porto, é que a FPF meteu-se num assunto que não lhe diz respeito. Um assunto que, para desmentir alegadas manobras de caciquismo clubístico, deveria ter as devidas consequências. O presidente Fernando Gomes foi convidado a tomar uma posição. Mas estará o presidente da FPF suficientemente livre para impor um regime de isenção e independência no futebol luso?! Esta é a grande questão.

NOTA - A engorda desportiva do Benfica só faz sentido com emagrecimento financeiro. Este relatório revelado pela UEFA não encerra nenhuma surpresa. Vieira e Domingos Soares de Oliveira sabem muito bem que têm de reduzir custos - e urgentemente.

O CACTO - Conselho de Arbitragem anda à nora

Não consigo entender estas reuniões entre o Conselho de Arbitragem e os clubes, a meio da época. Duvido muito da sua eficácia e elas só servem para perceber e captar todo o tipo de incongruências do próprio sistema de organização do futebol português. Depois da reunião, já todos sabemos que, independentemente das promessas de apaziguamento, tudo voltará à ‘casa de partida’ quando Benfica, Porto ou Sporting, principalmente, acharem que foram prejudicados. A ‘paz podre’ durará até ao primeiro penálti-de-queixa.

O ‘reinado’ de Pedro Proença como ‘árbitro de elite’ gerou a ilusão de que o nível da arbitragem portuguesa era alto. A falta de autocrítica no consulado de Vítor Pereira e o auto-elogio sem sentido ofereceram-nos a ideia de que o ‘edifício’ estava intacto. Pura ilusão. O sector da arbitragem portuguesa precisa de liderança forte e precisa de uma restruturação profunda.

Mais valeria a FPF assumir os desequilíbrios e dizer à UEFA: meus senhores, queremos proceder a uma profunda restruturação do sector e, enquanto ela durar, pedimos a V. colaboração no sentido de disponibilizarem para os jogos que envolvem Benfica, Sporting e Porto - aqueles que suscitam maior ruído e bloqueios vários —árbitros estrangeiros. Seria mais honesto e reduziria grande parte do ruído e das pressões. Mas já sabemos que vai continuar tudo na mesma, com promessas de melhoria. Isto assim não vai lá, até porque o Conselho de Arbitragem, ao dar opinião sobre os lances do Benfica-Sporting (e não dar sobre outros), volta a revelar uma imensa falta de bom-senso (presente em muitas nomeações), para além de acharem que somos todos burros e invisuais. Isto está bonito, está…»
(Rui Santos, Pressão Alta, in Record)

Falta só um "danoninho" para o edifício ficar reduzido a escombros!...

Leoninamente,
Até à próxima

2 comentários:

  1. Digam o que disserem de Rui Santos, esta crónica é um hino à verticalidade que tão arredia anda da maior parte dos seus colegas de ofício.
    SL

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